Mudanças

Publicado: 07/12/2014 em Uncategorized

Olá você que acompanha o meu blog em breve estarei mudando o blog para o Weebly uma plataforma muito boa o blog ainda está em fase de desenvolvimento mas logo logo estará no ar enquanto isso continuarei postando aqui mesmo

Obrigado a todos

Posted from Bunker 116

Suícida

Publicado: 19/11/2014 em Poemas
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“Como entender as razões de se quem ao partir levou o diário de anotações”

Posted from Bunker 116

Meu pai cresceu em uma reserva indígena na Dakota do Sul. É um lugar com poucas árvores e ainda menos pessoas, e houve pouco desenvolvimento desde o local foi resolvido muitos, muitos anos atrás. As pessoas vivem em aglomerados de casas quase uniformes que foram construídas pelo governo, eo único lugar para ir às compras ou ver um filme é quase duas horas de distância. É quente no verão e frio no inverno, e às vezes o vento sopra para dias sem desistir. Mesmo agora, as pessoas de lá tem que ser duro para sobreviver. Você olha para seus amigos, você ajuda a seus vizinhos, e você não se esqueça de sua família.

Sua avó morreu quando ele era muito jovem, mas ele me disse que ele mantém uma memória particularmente viva dela. Era inverno e eles foram para a casa juntos no início da noite, e ela estava cozinhando na cozinha enquanto ele brincava com um baralho de cartas na sala da frente. Ele não consegue se lembrar de como ela era, mas ele ainda me lembro do cheiro da comida que ela estava fazendo naquela noite. É engraçado como a memória funciona dessa forma. Seus pais, avô, e duas irmãs mais velhas tinha pego uma carona em Rapid City para comprar suprimentos antes que as primeiras grandes tempestades veio através, por isso era apenas a dois deles. Ela passou a cozinhar e ele passou a jogar com essas cartas até que ele tinha perdido a noção do tempo e era um breu lá fora.

bater como a polícia ou o tipo amigável de batida que um vizinho usa quando ele está parando para pedir alguma coisa. Apenas um, tocando tranquilo lento na porta. Tap, tap, tap, apenas como aquele. Naturalmente, ele imaginou que sua família havia deixado para trás a partir da cidade, então ele foi para a direita sobre a deixá-los lá dentro. Antes que ele tivesse a chance de alcançar a porta, seu frágil, avó idosa agarrou-o pelo braço e puxou-o para longe, como se ele fosse uma boneca de pano. “Nunca responda a porta à noite”, disse ele, cobrindo a boca para que ele não pudesse dizer qualquer coisa. Ele podia sentir seu braço tremer. Não há mais bater era, mas meu pai não conseguia afastar a sensação de que havia alguém de pé familiares do outro lado da porta, esperando para ser deixado dentro. Quando ela finalmente deixar de ir, ele perguntou por que ela o havia parado. “Às vezes, a tentativa mortos para voltar para casa”, disse ela. Havia lágrimas em seus olhos.

Sua família não voltou naquela noite, e não havia nenhum serviço de telefone de modo que não poderia chamar. Quando eles fizeram isso de volta no dia seguinte, soube que seu avô tinha morrido de um ataque cardíaco durante a viagem. Meu pai nunca disse nada sobre a batida, e nem sua avó. Era como se nunca tivesse acontecido. Sua avó não foi o mesmo depois que seu marido e seguiu para o túmulo apenas alguns meses mais tarde. Meu pai tinha seis anos de idade.

Foi muito mais tarde, quando meu pai apareceu sozinho à noite, durante uma tempestade de inverno particularmente ruim, o vento uivando lá fora eo resto de sua família encalhado milhas de distância. Eles tinham ido à cidade naquela manhã, e não seria capaz de voltar até que a tempestade deixe-se e as estradas foram limpas. Eventualmente, a eletricidade saiu ea única luz vinha do fogão que eles usaram para o aquecimento. A pior parte da tempestade durou algumas horas, mas finalmente ele ficou quieto fora como o vento diminuiu e as janelas parou de chocalho. Em seguida, a batida veio novamente. Essa mesma batida na porta de anos antes, como os dedos mal roçando-lo. Meu pai não podia levar-se a olhar pela janela para ver se alguém estava lá fora, mas por alguma razão, ele encontrou-se atraído para a porta, como se ele tivesse para abri-lo. Foi só quando sentiu o frio por debaixo da porta em seus pés descalços que ele parou. Ele chamou do lado de fora, perguntando quem estava lá. “Sou eu”, disse a voz do outro lado da porta. “Deixe-me dentro. Está frio. “Ele reconheceu a voz, uma vez que pertencia a sua irmã mais velha. Ele estava com a mão na maçaneta da porta quando as palavras de sua avó voltou para ele, e a sensação de sua mão agarrando seu braço. Nunca responda a porta à noite. Havia muitas coisas que ele poderia ter pedido a sua irmã naquele momento. Ele poderia ter perguntado onde eram seus pais, ou por que ele não tinha ouvido o carro puxar para cima quando eles foram deixados. Ele poderia ter mesmo perguntou por que ela precisava para bater em tudo – eles não trancam as portas na reserva. Ele não perguntou nenhuma dessas coisas. Em vez disso, ele disse a ela para ir ao redor à parte traseira e ele iria deixá-la por dentro. Antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, ou até mesmo pensar qualquer outra coisa, ele ouviu o começo a bater à porta de trás, como se tivesse estado lá o tempo todo. Instantaneamente. Tap, tap, tap. Ele não abriu a porta, e passou o resto da noite encolhida no chão. Sua família havia tentado a voltar para casa mais cedo naquela noite e entrou em um acidente de carro na neve. Seu pai tinha quebrado a perna em dois lugares. Sua irmã mais velha morreu, mutilado no naufrágio. Ele não contou a ninguém o que tinha acontecido, mas ele sabia em seu coração que, por vezes, os mortos não tentar voltar para casa.

Meu pai não tinha medo do que poderia ter acontecido naquela noite. Quando ele me contou a história, ele estava triste. Ele sempre lamentou que ele perdeu a oportunidade de ver sua irmã pela última vez. Eu sei que é por isso que ele foi para casa sozinho e esperou quando minha mãe morreu. Você não esquece a sua família. Eu sei que ele ouviu falar que bater na porta, tap, tap, tap, como ele se lembrou de sua juventude. Sei também que ele esqueceu algo, muito, muito importante. O medo na voz de sua avó, naquela noite fria de inverno, e da forma como ela o segurou com toda sua força. Nunca responda a porta à noite. Quando o encontramos no dia seguinte, a porta da frente estava aberta e que havia sido dilacerado. Não havia pegadas na neve. Meu pai não tinha medo do que poderia ter acontecido naquela noite. Quando ele me contou a história, ele estava triste. Ele sempre lamentou que ele perdeu a oportunidade de ver sua irmã pela última vez. Eu sei que é por isso que ele foi para casa sozinho e esperou quando minha mãe morreu. Você não esquece a sua família. Eu sei que ele ouviu falar que bater na porta, tap, tap, tap, como ele se lembrou de sua juventude. Sei também que ele esqueceu algo, muito, muito importante. O medo na voz de sua avó, naquela noite fria de inverno, e da forma como ela o segurou com toda sua força. Nunca responda a porta à noite. Quando o encontramos no dia seguinte, a porta da frente estava aberta e que havia sido dilacerado. Não havia pegadas na neve.

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Sinto-me arrependido por não dizer eu te amo sinto-me arrependido por não expressar meus sentimentos enquanto havia tempo

O arrependimento é o sentimento mais doloroso que você irá sentir

O arrependimento irá dilacerar e consumir você até o fim

Ele irá perseguir você até o final, a dor, a tristeza, o sofrimento e á solidão todos esses sentimentos se resume em um.

ARREPENDIMENTO

Kaguya Hime

Publicado: 27/10/2014 em contos
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Há muito, muito tempo, existia um velhinho e uma velhinha, que viviam juntos numa casa no meio da floresta. Eles eram muito pobres e solitários, pois não tinham filhos para criar. O velhinho era conhecido pelo nome de Cortador de Bambus, pois, todos os dias, ele saía cedo para cortar bambus na floresta. Os dois faziam cestas e chapéus para vender e ganhar algum dinheiro.

Um belo dia, enquanto estava na floresta, o velhinho avistou um broto de bambu, que brilhava, com uma luz muito intensa. Ele ficou espantado, pois, em anos e anos de trabalho, nunca havia visto algo como aquilo. Muito curioso, ele cortou o bambu e mal pôde acreditar no que viu. “Uma menina, uma menina! Tão pequena e tão linda, só pode ser um presente de Deus!”.

Ele levou a pequena menina na palma de uma de suas mãos para casa. Ao ver a menina, a velhinha também ficou muito contente e eles resolveram que o nome dela seria Kaguya Hime (Princesa Radiante).

A partir daquele dia, o velhinho passou a encontrar outros bambus brilhantes na floresta. Mas, ao invés de uma menina, eles continham moedas de ouro. Assim, a vida do casal melhorou e eles não precisavam mais produzir cestos para sobreviver. Eles creditaram o milagre à chegada de sua linda filha.

Kaguya Hime crescia muito rápido e a cada dia parecia mais bonita. Em apenas três meses, ela já tinha o tamanho de uma criança de oito anos. Ninguém poderia acreditar que uma pessoa tão bonita pertencesse a este mundo.

Logo os comentários sobre a beleza da Kaguya Hime se espalharam e vinham jovens de todos os cantos do país para conhecê-la. Todos queriam se casar com Kaguya, mas ela não queria se casar com ninguém. “Quero ficar ao lado de vocês dois”, dizia a jovem para seus pais. Mas cinco jovens nobres, de posições importantes, foram mais persistentes. Eles acamparam em frente à casa de Kaguya Hime e pediam uma chance a ela.

Preocupado, o velhinho chamou Kaguya e disse: “Minha filha, eu gostaria muito de ter você sempre por perto, mas acho justo que se case. Escolha um dentre os cinco rapazes que estão acampados aqui”. Assim, a linda jovem decidiu. “Eu me casarei com aquele que me trouxer o objeto mágico que pedirei”

Um colar feito com os olhos de um dragão, um vaso feito com pedras dos deuses que nunca se quebra, um manto de pele de animal forrado de ouro, um galho que faz crescer pedras preciosas, um leque que brilha como a luz do sol e uma concha que a andorinha põe junto com seus ovos. Estes foram os objetos que Kaguya Hime pediu.

O velhinho levou os pedidos de Kaguya aos pretendentes acampados. Ele sabia que seria muito difícil conseguirem obter tais objetos. Qual não foi sua surpresa quando, ao final de alguns meses, todos os pretendentes trouxeram os presentes para Kaguya. Mas, quando eles foram obrigados a entregá-los a jovem, todos admitiram que os presentes eram falsos, pois conseguir os verdadeiros era uma missão muito difícil. E assim, nenhum deles obteve êxito.

Quatro primaveras haviam se passado desde que Kaguya fora encontrada no broto de bambu. Mas ela ficava mais triste a cada dia. Noite após noite, Kaguya Hime olhava para a lua, suspirando. Preocupado, o velhinho um dia perguntou: “Por que está tão triste minha filha?”. “Eu gostaria de ficar aqui para sempre, mas logo devo retornar”, disse a jovem.” “Retornar, mas para onde? O seu lugar é aqui conosco, nunca deixaremos você partir”, disse o pai aflito.” “Este não é o meu reino, eu sou uma princesa de Reino da Lua e, na próxima lua cheia, eles virão me buscar”.

Muito assustados com a reveladora confissão de Kaguya Hime, os velhinhos decidiram pedir ajuda ao príncipe do reino onde viviam. O príncipe ajudou e enviou muitos guardas para vigiarem a casa do casal. Um verdadeiro exército foi formado.

No dia seguinte, a temida noite de lua cheia chegou. A casa estava tão vigiada que parecia impossível alguém conseguir levar Kaguya Hime. De repente, uma enorme luz surgiu no céu, como se milhares luas estivessem presentes ao mesmo tempo.

A luz era tão intensa que ninguém conseguiu enxergar a carruagem que descia, guiada por um grande cavalo alado e muitas pessoas bem vestidas. Depois de algum tempo, quando a luz diminuiu, a carruagem já estava voando, em direção à lua. Kaguya Hime não estava mais presente, ela fora junto com a comitiva.

Os velhinhos ficaram muito tristes, inconformados. Voltaram ao quarto de Kaguya e encontraram um potinho, presente da filha querida. Ela havia deixado um pó mágico, que garantiria a vida eterna para os dois.

Mas, sem sua filha amada, os velhinhos não queriam viver para sempre. Eles recolheram todos os pertences de Kaguya e levaram para o monte mais alto do Japão. Lá, queimaram tudo, junto com o pó mágico deixado pela jovem. Uma fumacinha branca subiu ao céu naquele dia.

A montanha era o Monte Fuji. Dizem que até hoje é possível ver a fumacinha subindo e subindo.

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Gloomy Sunday (Domingo Sombrio)  conhecida como the hungarian suicide song criada pelo compositor *Rezso Seress

Essa composicão foi criada um dia após Rezso e sua até então noiva terem se separado logo após isso no dia seguinte, um domingo, após a noite agitada do dia anterior,Seress sentou-se ao seu piano no seu apartamento olhando pela janela contemplando o céu, de fora podia ver-se o mesmo ficando nublado, cinzento e logo uma chuva torrencial começou a cair.-” Que Domingo Sombrio!” Disse Seress para ele mesmo á medida que ia tocando o piano, de repente seus dedos começaram a tocar uma estranha e melancólica melodia que parecia incorporar-se com tudo wue estava acontecendo em sua vida, sua separação, sua infelicidade, má sorte, sobretudo a forma em como estava o tempo naquele dia.

-” Sim, Domingo Sombrio! Este será o titulo da minha nova música”, disse Seress todo empolgado,pegou um papel e um lápis e começou á escrever as notas num cartão postal antigo.trinta minutos depois ele terminou de compor a letra,ou seja, a música.

Houve especulações e fatos associados com números de suicídio nos anos 30 ambos em Hungria e América,relacionados com “Domingo Sombrio” mas a maior parte das mortes supostamente ligadas a ela são difíceis de se verificar.

Seress enviou sua composição para os produtores musicais e esperou por aceitação com uma empolgação que nunca antes havia tido em seu coração.

Alguns dias depois o seu cartão postal com a letra da música foi retornada com uma nota de rejeição agrafada nela que dizia: “Domingo Sombrio tem um tom misterioso, bizarro e altamente uma melodia melancólica, e um ritmo depressivo e nós lamentamos mas não poderemos publicar a mesma.”

A música foi mais uma vez enviada para outro produtor músical e desta vez foi aceito. O produtor disse a Seress que sua música seria brevemente distribuída a todas as maiores cidades do mundo. O jovem húngaro estava maravilhado.

Depois de alguns meses, após o Domingo Sombrio ser distribuído houve ocorrências estranhas que envolviam em torno da música.

Em Berlim, um jovem rapaz pediu a banda para tocar Domingo Sombrio, e depois que a música foi tocada o rapaz foi para sua casa e disparou um tiro contra sua própria cabeça com um revólver após queixar-se aos seus familiares que estava a sentir-se severamente depressivo pela melodia de uma música nova que ele não conseguia tirar da cabeça, a música era Domingo Sombrio.

Uma semana depois, na mesma cidade, uma jovem assistente de loja foi encontrada enforcada em seu apartamento

Tirem suas dúvidas sobre essa canção será que essa música tem controle sobre a mente das pessoas ou é apenas uma música criada no país errado na hora errada

*Rezsõ Seress (3 de novembro de 1899 á 11 de janeiro de 1968)

Alguma vez você já se esqueceu
onde deixou seu telefone ?
Quando você percebeu que tinha
esquecido? Eu acho que você não
tenha batido a mão na sua testa e
gritado “puta merda, onde deixei
meu celular?”. Você não sentiu falta
dele, no começo. Mas
provavelmente, colocou a mão no
bolso e só então percebeu que não
sabia onde ele estava. Então você
começa a tentar se lembrar da ultima
vez que o viu.
Merda.
No meu caso, o alarme do meu
celular me acordou como sempre,
mas percebi que a bateria estava
fraca. Era um celular moderno e ele
tinha esse hábito irritante de deixar
aplicativos abertos, que drenavam a
bateria durante a noite. Então, eu o
deixei carregando enquanto eu
tomava banho, ao invés de te-lo
colocado na minha mochila como
sempre. Foi um lapso momentâneo,
mas foi o suficiente. Uma vez no
chuveiro, meu cérebro voltou para a
‘rotina’ que sigo todas as manhãs.
Eu esqueci..
Isso não foi simplesmente um
deslize meu, como descobri depois.
Isso é uma função do cérebro
conhecida. Nossos cérebros não
trabalham em apenas um nível; eles
trabalham em vários. Tipo, quando
você está caminhando em algum
lugar, você pensa sobre o seu
destino e evita os obstáculos, mas
você não precisa pensar em manter
suas pernas se movendo
normalmente. Se pensássemos, o
mundo inteiro se tornaria em um
enorme e hilariante simulador. Eu
nunca precisei pensar em manter
minha respiração normal, preferia
pensar no que comeria de café da
manhã. Depois eu não me
concentraria em digerir meu café da
manhã, mas estaria pensando se ia
dar tempo de pegar minha filha,
Emily, na creche, após o trabalho,
ou se ia ficar preso em outro
congestionamento. Mas é essa a
questão; há um nível no seu cérebro
que lida apenas com a rotina, assim,
o resto do cérebro pode pensar em
outras coisas.
Pense nisso. Pense no seu último
trajeto. O que você realmente
lembra? Pouco, se é que se lembra
de algo. As tarefas mais comuns se
embaraçam em uma só, e relembrar
qualquer uma delas é
comprovadamente difícil. Faça algo
frequentemente e se tornará rotina.
Continue fazendo alguma coisa e
isso parará de ser processado pela
parte pensante do cérebro e irá para
a parte do cérebro dedicada à rotina.
Seu cérebro continuará fazendo, sem
você pensar nisso. Repare que você
precisa pensar na rota para o
trabalho tanto quanto “precisa”
pensar para manter suas pernas em
movimento enquanto caminha. Ou
seja, você não pensa.
A maioria das pessoas chama isso
de piloto automático. Mas tem um
perigo aí. Se você tem um quebra na
rotina, sua habilidade de lembrar e
considerar essa mudança é tão boa
quanto sua habilidade de fazer o
cérebro parar de seguir o modo de
rotina. O piloto automático me fez
acreditar que o celular estava na
minha mochila o dia todo, mas o
fato dele estar descarregado e que
precisei deixa-lo carregando,
quebrou minha rotina da manhã. Eu
entrei no chuveiro como sempre e
rotina começou. Com exceção do
celular não estar na mochila.
Piloto automático ativado.
Meu cérebro estava de volta à
rotina. Tomei banho, me barbeei,
ouvi o rádio dando a previsão de um
clima incrível, dei à Emily seu café
da manhã e a coloquei no carro (ela
estava tão adorável naquela manhã,
reclamando do calor e do “sol mal”
cegando-a, dizendo que ele a
impediu de dormir no caminho para
a creche) e saí. Essa era a rotina.
Não importava se meu telefone
estava no balcão, carregando
silenciosamente. Meu cérebro estava
na rotina e meu celular deveria estar
na minha bolsa. Então esqueci meu
telefone. Nenhum deslize. Nenhuma
negligência. Nada além do meu
cérebro entrando no modo rotina e
se esquecendo dos fatos.
Piloto automático ativado.
Fui para o trabalho. Era um dia
quente. O volante estava escaldante
quando sentei. Acho que ouvi Emily
sentar atrás do meu banco, para
ficar longe da minha vista. Mas fui
para o trabalho. Mandei relatórios.
Participei da reunião da manhã. Mas
a ilusão não foi quebrada até eu tirar
um rápido intervalo para o café e
pegar meu telefone. Eu refiz os
passos mentalmente. Me lembrei da
bateria terminando. Me lembrei de
tê-lo colocado para carregar. Eu
lembrei de tê-lo deixado lá.
Meu telefone estava no balcão.
Piloto automático desativado.
Novamente, é aí que mora o perigo.
Até aquele momento, o momento em
que fui pegar meu telefone e quebrei
a ilusão, aquela parte do cérebro
ainda estava no modo rotina. Não
havia razão para questionar os fatos
da rotina; é por isso que é uma
rotina. Pura repetição. Não é como
se alguém fosse dizer “Por que você
esqueceu o seu telefone? Isso não
lhe ocorreu? Como poderia ter
esquecido? Você deve ser
negligente”; esse não é o ponto.
Meu cérebro estava me dizendo que
a rotina estava normal, apesar do
fato de que não estava. Não é que
eu tenha esquecido o telefone. De
acordo com o meu cérebro, de
acordo com a rotina, meu telefone
estava na bolsa. Por que eu iria
pensar em questionar isso? Por que
eu checaria? Por que eu me
lembraria de repente, do nada, que
meu telefone estava no balcão?
Meu cérebro estava preso à rotina e
a rotina dizia que meu telefone
estava na bolsa.
O dia continuou quente. O mormaço
da manhã deu lugar ao implacável
calor febril da tarde. O asfalto
borbulhava. Os raios diretos de calor
ameaçando a rachar o pavimento. As
pessoas trocavam cafés por
refrigerantes gelados. por Jaquetas
descartadas, mangas arregaçadas,
gravatas afrouxadas, sobrancelhas
enxugadas. Os parques lentamente
sendo ocupados por pessoas
tomando banho de sol e fazendo
churrascos. Janelas estalando com
o calor e ameaçando deformar. O
termômetro continuava a subir.
Ainda bem que os escritórios tinham
ar condicionado.
Mas, como sempre, esse inferno de
dia deu lugar a uma noite mais fria.
Tempo é dinheiro. Ainda me
xingando por ter esquecido o
telefone, dirigi para casa. O calor do
dia havia assado o interior do carro,
deixando um cheiro horrível. Quando
cheguei na entrada da garagem, as
pedras foram trituradas
confortavelmente embaixo dos
pneus, enquanto minha esposa me
saudou à porta.
– Onde está a Emily?
Merda.
Como se ter esquecido o telefone
não fosse ruim o bastante. Depois
de tudo isso, eu deixei a Emily na
porra da creche. Imediatamente,
acelerei até a creche. Cheguei até a
porta e comecei a praticar minhas
desculpas, imaginando vagamente
se poderia sair dessa vergonha com
meu charme. Eu vi um pedaço de
papel preso na porta.
“Devido aos vandalismos durante a
noite, por favor use a entrada lateral.
Apenas hoje.”
Durante a noite? O quê? A porta
estava boa está manh…
Eu congelei. Meus joelhos tremeram.
Vândalos. Uma mudança na rotina.
Meu telefone estava no balcão.
Eu não estive aqui essa manhã.
Meu telefone estava no balcão.
Eu passei direto pois estava
bebendo meu café. Eu não larguei a
Emily.
Meu telefone estava no balcão.
Ela moveu seu assento. Eu não a vi
no espelho.
Meu telefone estava no balcão.
Ela adormeceu no carro. Ela não
falou quando eu passei pela creche.
Meu telefone estava no balcão.
Ela mudou a rotina e eu esqueci de
traze-la.
Meu telefone estava no balcão.
Nove horas. Aquele carro. Aquele sol
escaldante. Sem ar. Sem água. Sem
energia. Sem ajuda. Aquele calor.
Um volante quente demais para
tocar.
Aquele cheiro.
Eu andei até a porta do carro.
Tremendo. Chocado.
Eu abri a porta.
Meu telefone estava no balcão e
minha filha estava morta.
Piloto automático, desligado.